História

Lanceiros Negros: coragem, promessa e a ferida de Porongos

Comissão Organizadora 6 min de leitura
Lanceiros Negros: coragem, promessa e a ferida de Porongos

Eram escravizados a quem a República prometeu liberdade em troca do serviço nas armas. Formaram um corpo de cavalaria temido — os Lanceiros Negros — e pagaram o preço mais alto da Revolução: o massacre de Porongos, em 14 de novembro de 1844.

A promessa

Ao longo da guerra, a República Rio-Grandense incorporou escravizados às suas tropas sob a promessa de alforria. Nascia assim o Corpo de Lanceiros Negros, unidade de cavalaria que se destacou pela bravura em diversas batalhas — prova viva de que a liberdade, para eles, tinha preço de sangue.

14 de novembro de 1844

No Cerro de Porongos (atual Pinheiro Machado), o acampamento dos lanceiros foi surpreendido ao amanhecer por tropas imperiais — e praticamente aniquilado. Até hoje a historiografia debate as circunstâncias: teria havido um arranjo prévio entre lideranças farroupilhas e imperiais para se livrar de um contingente incômodo às vésperas da paz? As cartas e versões divergem, e a polêmica segue aberta.

Carga de cavalaria farroupilha, pintura de Guilherme Litran (1893)
Carga de cavalaria farroupilha, tela de Guilherme Litran (1893). Os Lanceiros Negros eram cavalaria de choque da República. (Imagem: Wikimedia Commons)

A liberdade que não veio

O golpe final veio no próprio Tratado de Ponche Verde: não houve libertação dos escravizados que lutaram — para não provocar insurreições no resto do Império, parte foi devolvida aos antigos donos e outros foram vendidos no Rio de Janeiro. É o capítulo mais doloroso da Revolução — e por isso mesmo o mais necessário de lembrar.

“Celebrar a Revolução de verdade é honrar também quem ela esqueceu.”

— Comissão Organizadora

Comissão Organizadora

Artigo oficial publicado pela equipe de comunicação e comissão organizadora da ARLS Campos de Palmas nº 182. Promovendo a união, a história e os nobres costumes farroupilhas.

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